domingo, julho 12, 2009

Folclore Brasileiro

Parece-me inadequado, antiprofissional, desrespeitoso e algo repetido, ou seja, mídico tratar do livro "Crítica da Razão Tupiniquim", porém modesta aos anos que se passaram, é hoje obra impreterível para quem queira fácil passar na UnB (quem não é de Brasília pode não se importar, mas se torna engraçada a contradição entre a autodenominação e a intituição).

O livro trata, em boa parte, do "jeitinho" brasileiro de sempre contornar as regras e se dar bem no final. Pois bem! Compare-o ao extenso folclore tido por nós e, sem dúvidas, perceberemos o quanto a porrada que nossa cultura mereceu era necessária.

Em todos os "causos" que li, uma aparição misteriosa pairava sobre uma comunidade, uma instituição (família, igreja, escola, etc), uma pessoa. Uma maldição terrível sempre se concretizava. Corrupção, a solução. Era necessário, sempre fazer algum favor ou dar algo de "valor" ao ente (cachaça, fumo em boa parte das vezes).

Além da inversão de valores, não tentar descobrir um meio honesto de derrotar a "criatura" e apelar para a "venda" de sua alma mais alguma coisa, tais contos demonstram a ignorância que reina sobre o nosso povo. Sem sequer procurar explicação racional aos fenômenos, o indivíduo usa (digo com muita possibilidade) desses "causos" para estabelecer algum medo no companheiro, ou seja, dominar de alguma forma. Isso também quando já é dominado.

Em síntese, nossa cultura é tímida (cobarda), romântica (exagerada), fantástica (ignorante), corrupta (não "há" sinônimo). Tememos sem procurar solução o que desconhecemos, por isso nos deixamos enganar fácil, além de tentar contornar o problema sem resolvê-lo (ou seja, vai acontecer de novo).

Aniversários

Conceito popular é o de que um aniversário signifique... mais um ano passado, não importa se bem ou não. Para os alheios, às vezes, o aniversariante também, é pretexto para uma boquinha "grátis" ou mero investimento (na felicidade, segundo o financiador).
Ampliando essa visão limitada, sem crítica e que mal dá um parágrafo, o aniversário é a ocasião perfeita para o suborno, a corrupção, a troca de favores.

Pense: Pais têm filhos em constante reprovação nos colégios. O que pode se fazer para contornar a questão? Investigar as causas do problema, não, claro que não! Exige muito esforço, muita participação e o(a) moleque(guria) já é moçinho (dos 10 em diante). O melhor a se fazer é dar um estímulo extra: viagem, carro, barbie(caríssima e tradicional), fantasia do homem-aranha (NÃO VOU COMENTAR...
NÃO DEVO...), etc.

Ah, aniversários... festas, prêmios, uma eventual consideração afetiva, porém que limitada. Os pais de hoje são diferentes dos do passado (Que frase podre, hein?)... No passado, presente de aniversário era não levar sova, surra, peia, chibata (tem mais coisa, eu sei...), hoje... Minha imaginação está menos fértil, sabe?

A pessoa, por mais que não mereça, é "sempre" premiada num aniversário.

O suborno é a lava ardente,
que leva meu corpo sem mente,
Corrupto, jamais sê-lo-ei,
apenas um luxo de rei.

Tão belo esse momento,
a dor espreita, mas não chegou,
Mas chega quando me atento
ao troco que o destino me reservou

Tópico meio chato esse... a crítica é vísivel, o problema mais ainda, mas a mente continua a se alienar do assunto. Queremos pensar que é tradição, algo tão inalterável quão inquestionável. Entretanto, deixa os caminhos da tradição e se torna um tabu. Por quê? As pessoas, nós, querem se alienar aos próprios defeitos, podres. Isso, dentre outros, cria um tabu.

E o aniversário é um tabu. Ao invés de uma comemoração modesta, com poucos convidados, para se aproveitar com cada um deles a passagem de mais um ano (de esforço, quem sabe), há apenas mais festas de arromba, algo banal, consumista, porém que não consome a alegria de se relembrar toda vida, quantos sonhos.
As viagens, por vezes, repõem esse significado, quando não se vai só, porém é algo restrito, pois não se pode levar necessariamente as pessoas com quem se conta, das quais se gosta, etc, etc.

Logo, tornou-se algo comercial, puramente. Uma maneira de se elevar status, de abandonar tudo o que se passou até então (o que contradiz um momento que lembre todas as suas experiências).