O livro trata, em boa parte, do "jeitinho" brasileiro de sempre contornar as regras e se dar bem no final. Pois bem! Compare-o ao extenso folclore tido por nós e, sem dúvidas, perceberemos o quanto a porrada que nossa cultura mereceu era necessária.
Em todos os "causos" que li, uma aparição misteriosa pairava sobre uma comunidade, uma instituição (família, igreja, escola, etc), uma pessoa. Uma maldição terrível sempre se concretizava. Corrupção, a solução. Era necessário, sempre fazer algum favor ou dar algo de "valor" ao ente (cachaça, fumo em boa parte das vezes).
Além da inversão de valores, não tentar descobrir um meio honesto de derrotar a "criatura" e apelar para a "venda" de sua alma mais alguma coisa, tais contos demonstram a ignorância que reina sobre o nosso povo. Sem sequer procurar explicação racional aos fenômenos, o indivíduo usa (digo com muita possibilidade) desses "causos" para estabelecer algum medo no companheiro, ou seja, dominar de alguma forma. Isso também quando já é dominado.
Em síntese, nossa cultura é tímida (cobarda), romântica (exagerada), fantástica (ignorante), corrupta (não "há" sinônimo). Tememos sem procurar solução o que desconhecemos, por isso nos deixamos enganar fácil, além de tentar contornar o problema sem resolvê-lo (ou seja, vai acontecer de novo).
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