quarta-feira, junho 17, 2009

Morte

Assunto extremamente trágico em circunstâncias "normais", segundo os valores tão precisos e queridos da sociedade, é a morte. Algo superável, tão típico a ponto de ser tratado banalmente por um indivíduo, nesse momento, eu discordo que deva ser isso.

Interessante talvez e o ponto que desejo e preciso levantar nessa postagem é o quanto as pessoas evitam refletir "racionalmente", não com a frieza, a calma, a insensibilidade de um cientista, porém tentando conferir seus erros, suas atitudes e seus conceitos.

Meu professor de artes (não lhe cito, pois não é devido) disse à minha turma que, nessa semana, era o sexto aluno dele que morrera. Ele enalteceu o quanto esse fato pode parecer comum, banal, porém que individualmente não é assim sentido tão facilmente. Expressou não querer sentir de outra forma, porque isso não nos torna humanos.
Pois é! Um professor! É preciso um professor para gerar alguma autoreflexão baseada na morte de quem se gosta.

E isso me dá desgosto! É difícil não expressar diretamente o que sinto, mas todo esse sarcasmo, toda essa indiferença ou mesmo, o uso dessa morte para continuar sem enxergar seus passos, tudo isso me mata lentamente.
Entrei no orkut de meu melhor amigo e postei uma mensagem lembrando o quanto devemos cuidar de quem nos é próximo, levando em conta a morte sempre (excetua-se em casos de Murphy) imprevisível, ao acaso. Ele me respondeu segundos depois que a morte não era um assunto a ser tratado, ou assim deu-se a entender.

Percebo agora o quanto a morte é para os vivos pior tormento. A perda, a saudade, o desgosto, o trauma, tantos aspectos demais numeráveis. Também noto que, meus companheiros, minha geração, prole mais próxima é cobarda, não procura novos desafios, enfrentar questões pertubadoras, se deixa manipular por diversas mídias (Internet, jogos, tv, música, filmes, leitura) a fim de que elas lhe dêem todas as respostas.
Isso denota não só cobardia, também preguiça por parte desses infelizes em procurar uma forma de atenuar a dor trazida pela morte. As pessoas, agora, têm como base que é só uma fase da vida e os próximos precisam superar e seguir em frente.

"Seguir em frente?" E como se fará isso? Não se ouve (pelo menos, EU NÃO OUÇO!!!) como diminuir a perda antes que ela ocorra de novo, sofrer menos. Isso, aqui, explicito!
Como cantava Renato Russo: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque, se você parar pra pensar, a verdade não há!" As pessoas, entes queridos devem ser tratados com mais zelo, cuidado. E a partir do momento em que se deixa alguém, principalmente que lhe ama, de lado (seja por jogo, popularidade, romance), esse ente já está sendo sepultado por você!

Amar, verbo tão maldito,
quando inconjugável o dito
passiva-analíticamente.
Amor, a voz que nunca será grito,
não passará de um suspiro perdido
que domina do coração à mente.

Pena! Ouve-se inclusive sarcasmo, ironias e idiotismos sem finalidade alguma senão o riso. É o zelo não tido com os mortos que se reflete na morte de quem você ama, gosta e na eternidade para com os entes mais odiados e desprezados.
Pergunta: Serão esses idiotistas os mesmos que não zelam pelos amados e queridos? Muito provavelmente.

Conclui-se, de passagem, que ao meu redor, a mídia prega o idiotismo como combate à morte. Mas afirmo: A cova, de quem lhe é querido, de quem lhe quer, você cava com o descuido, a falta de zelo, por fim, o desapontamento.

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